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24/11/2019Jornada sobre Saúde mental discutiu depressão e suicídio com profissionais e paroquianos

Palestras contaram com participação de profissionais da área e paroquianos


Tendo em vista a ênfase da igreja na necessidade do laicato, a Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Mirassol, promoveu neste sábado, 23, no Centro Pastoral, a I Jornada para Profissionais da Saúde, discutindo como tema central o tema “Desafios Contemporâneos da Saúde Mental”. Aberto também a todos os paroquianos, o encontro constou de cinco palestras, envolvendo vários aspectos de um mesmo tema, seguido de debate.

O encontro foi aberto pelo pároco, Padre Matias Soares, que deu as boas-vindas aos presentes e enfatizou essa necessidade do laicato, discutindo, com profissionais da área, uma temática que a Igreja está tratando, no momento, como a questão da bioética social, sem uma perspectiva catequética. “A intenção é analógica, de partilha, de interação, para que a Igreja passe a mostrar o que estamos encontrando em nossas famílias e na sociedade. A bioética da vida e bioética social, como a questão do suicídio”, exemplificou o pároco.

A primeira palestra, que abordou o tema "Desafios Contemporâneos da Saúde Mental",  foi proferida pelo médico cardiologia Júlio César Vieira de Souza que, apesar de sua especialidade, fez uma abordagem do ser humano integral, com várias nuances e problemas a serem resolvidos. Ele questionou como dissociar a mente, o corpo e a alma. Impossível a dissociação dessa tríade. 

O médico Júlio César apresentou estudos e dados estatísticos, que dão conta do alto número de depressão e casos de suicídio em nossa sociedade. Apesar de não ser sua  área, ele afirmou que chega, diariamente, em seu consultório, casos de pacientes com sintomas de saúde mental. Ele defendeu que esse tipo de paciente deve ter um atendimento multidisciplinar e, diante da gravidade do assunto, ele afirmou que o risco de suicídio é uma urgência médica, em que pode haver prevenção.

Na palestra do psiquiatra Emerson Arcoverde, “A Relação da Espiritualidade com a Saúde”, ele enfatizou a existência do preconceito contra a saúde mental e, embora reconhecendo que houve uma diminuição do estigma que ronda a doença, afirmou: “nós temos lutado contra isso”. O psiquiatra destacou a importância da religiosidade e da espiritualidade no tratamento psiquiátrico, mostrou artigos científicos que tratam dessa relação e disse que “saúde é também um bem estar espiritual”.

Arcoverde disse que a psiquiatria busca muito a questão física e bioquímica, mas reconhecem que a espiritualidade e a religiosidade influenciam o adoecer e a melhora dessas pessoas. Ele defendeu, inclusive que essas questões deveriam fazer parte da formação do psiquiatra. “Vários estudos demonstram associações positivas entre saúde mental e religiosidade”, afirmou.

A terceira palestra abordou “A Saúde Mental e Atividade Física”,  a cargo do mestrando em Educação Física, Paulo Ricardo, que é pós-graduado em Treinamento de Força. Segundo ele, a atividade física passou, nos últimos anos, a ser um instrumento para a melhoria da qualidade de vida e é fundamental no combate às doenças mentais, principalmente a atividade física feita como forma de lazer.

Paulo Ricardo informou que estudos mostram que pessoas com depressão apresentam níveis mais baixos de atividades físicas e níveis mais altos de comportamento sedentário. “A atividade física pode conferir proteção contra o desenvolvimento da depressão em crianças, adultos e idosos. Esses efeitos são evidentes em todos os continentes”, disse ele.

“Atendimento humanizado e sua Importância para a saúde mental do paciente e seu núcleo familiar” foi a palestra proferida pelo médico Herbert Kleber Rodrigues de Oliveira, Ginecologista e Obstetra e Médico do Trabalho. Ele conceituou a humanização – “ é a habilidade dos profissionais em ouvir, aconselhar e respeitar opiniões dos que necessitam dos seus serviços para que eles tenham um atendimento digno” -  e destacou a importância do olho no olho, do presencial e da empatia.

O que é atendimento humanizado? Herbert Rodrigues foi claro ao afirmar que é “ser sincero, direto, mas respeitar o estado emocional do paciente”.

A psicóloga Clenice Demeda, diretora do Vitta Instituto Interdisciplinar, encerrou a série de palestra falando sobre “Impacto do uso das redes sociais na saúde mental”, deixando claro que esse impacto tem sido negativo, com as pessoas querendo estar, todo tempo, on line e não param para escutar o outro. Ela criticou o fato de, atualmente, até crianças da primeira infância fazerem uso dos meios eletrônicos. “Esse é o tempo em que nós nos estruturamos como ser humanos”, frisou.

“O que isso traz de efeito na vida humana”, questionou Clenice Demeda, enfatizando a necessidade de escutar. “Tem muitas formas de escutar, muitas formas de ajudar”, afirmou.


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